Eis o começo do tomo dois das Lendas de Aupaba, que está em plena produção.
Aproveitando a oportunidade, vou avisando que em breve o primeiro E-book ganhará uma nova versão, com o texto em terceira pessoa do passado, do contrário do que está atualmente.
Dado o aviso, fiquem com o Preview:
O passado. Pouco depois de Jaguar-Upiara chegar à tribo dos Auati, com a Itapitanga, a pedra sagrada, para que seu irmão Guaraní pudesse se casar.
Enquanto isso acontecia na aldeia, não muito longe dali, um curumim tomava banho num lago não muito fundo.
- Isso é um saco mãe… – Ele deixava apenas sua cabeça para fora da água, segurando e puxando de leve o colar que trazia no pescoço. – Eu falei que era muito apertado… O Nanbiquara quis caçoar de mim…
- Já disse para você parar de tentar tirar o colar de proteção, Tsemoarai. – Saçuena sabia que precisava ter paciência com seu primeiro filho, “Mas…” ela pensava, “…Era tão mais fácil quando ele não falava…”. – Você sabe que só assim você está protegido dele…
- A senhora não precisa ter medo de falar o nome dele mãe… – O curumim voltava suas costas para a margem do lago onde sua mãe se encontrava, mergulhando o rosto na água fria e se voltando para ela, com os olhos semicerrados. – Eu não tenho medo de falar Anhangüera e…
- Na verdade… – Para o terror do pequeno curumim, o diabo velho se encontrava na margem do lago, numa mão algo que parecia uma pequena cobra de fogo, na outra a mãe dele, segura pelo pescoço a alguns centímetros de distância do chão. – Você deveria mesmo escutar a sua mãe pequenino… Agora a vida dela só depende de uma decisão sua…
- E-eu… – Mesmo sentindo que seu corpo esfriara ainda mais do que a água ao seu redor, era sua mãe que estava em jogo e Tsemoarai não podia fraquejar. – O-Oque que eu tenho que fazer?
- Muito bem… É algo absurdamente simples… Se quiser que sua mãe viva tudo o que você tem que fazer é… Retirar esse maldito amuleto do seu pescoço…
Lentamente e sem que sua mãe possa impedi-lo, o pequeno curumim fazia o que o demônio lhe pediu, lentamente tirando o colar feito de contas, abençoado por Tupã e que todos os filhos de Aupaba recebem ao nascer, para que Anhanguera não consiguisse se aproximar dos mesmos, o que o fazia lançar mão de subterfúgios para atingir seus intentos.
Subterfúgios como o que estva a fazer com o pobre Tsemoarai.
- Viu como se faz Boitatá? – O demônio aproximava a cobra de seus lábios, impedindo que o indeciso curumim o escutasse. – É desse modo que um mestre de manipulação age…
Quando finalmente o curumim deixara o colar cair na água, ele foi arrebatado pelo demônio, perdendo imediatamente os sentidos, antes mesmo do colar tocar o leito barrento do lago.
- Agora garota… - Ele então se voltou para a mãe de Tsemoarai, ela quase sem sentidos. - Vamos nos divertir…
Quando Saçuena acordou Iaé já brilhava alta no céu noturno e a índia demorou a despertar de vez, mas, quando o fez, percebendo que se encontrava sozinha, nua e com o corpo todo dolorido, o terror que se espalhou por sua mente a forçou a se levantar, olhando desesperada ao seu redor e, quando finalmente pareceu aceitar a realidade que estava vivendo, ela encontrou forças renovadas e começou a correr na direção da tribo, clamando a Tupã pela segurança de seu filho.
Lendas de Aupaba. Tomo Dois.
Decisões do coração e da mente.